Arte in'consciente
©Thomas Struth (Alemanha, 1954)
Chromogenic print; 54 x 68 3/4 in. (137.2 x 174.6 cm)
The Art Institute of Chicago, restricted gift of Lewis Manilow
What I want to achieve with this series, which will be limited to maybe thirty photographs, is to make a statement about the original process of representing people leading to my act of making a new picture, which is in a certain way a very similar mechanism: the viewer of the works seen in the photograph finds him/herself in a space in which I, too, belong when I stand in front of the photograph.
The photographs illuminate the connection and should lead the viewers away from regarding the works as mere fetish-objects and initiate their own understanding or intervention in historical relationships.
©Thomas Struth,
sobre a exposição que apresentou no The M.O.M.A., em 1999
Gosto de ter com a Arte uma relação só minha, individual. Por isso sou amadora! Gosto de amar a arte pela Arte só, pelo objecto em si… para além de todos os circunstancialismos que levaram à sua produção, para além de todas as peripécias mais ou menos rocambolescas que o Destino – sempre engenhoso – engendrou para que o Génio, a Inspiração e o Tempo – trindade de todo o modo de Arte – se reunissem naquele momento único da criação artística.
Gosto do silêncio no primeiro encontro com a Obra… gosto de sentir que sou só eu e Ela… intimidade! Gosto de me sentir invadir pelas cores, pelos sons, pelas palavras… e fundir-me nelas… num prazer quase erótico de perfeição… sublimação… como se aquela tela, aquela música, aquele texto, fossem, naquele instante, todo o Universo e todos os caminhos sinuosos da existência vã em que me passeio tivessem sido trilhados para chegar ali: ao êxtase da admiração da Criação.
Tenho para mim, amadora – com a consciência plena de que nenhum especialista hesitará em apontar-me o dedo-censura-certeza absoluta da relatividade: Errada!, quase um Crucifixit recriado – que o único momento em que a Obra de Arte o é verdadeiramente é esse do encontro imaculado – tantas vezes um instante só – em que, expurgados de qualquer indução externa, nos deparamos de súbito com Ela e, sem reservas, sem peias, sem defesas, nos deixamos invadir… fundir nela, de tal modo que já não é Ela a coisa observada, mas somos nós seu objecto, sentidos conduzidos pelos caminhos onde o Génio nos quis levar…
Por isso prezo tanto o não-saber, e o cultivo! Rejeito o saber das datas, dos lugares, das estórias, de todos os contextos que me condicionariam à partida o Encontro… que pre-judicariam o Momento, por me obrigarem a uma valoração concebida ainda antes da génese em mim da Obra em si... por isso fujo sempre das legendas, dos guias, das sínteses… virgem nas sensações, guardando-me para o desposamento que o Artista conseguir em mim provocar.
…
E depois, Obra de Arte encontrada, Momento vivido, sentidos todos saciados na inspiração da Perfeição, gosto, então sim, de regressar à arte, ao objecto, às legendas, aos guias, às sínteses, de perceber o sentido e o lugar e o catálogo onde, nos limites do Tempo e da Geografia, o Homem quer encaixar o que não é de tempo ou lugar algum… gosto de ouvi-lo e percebê-lo, sempre confiante na minha péssima memória, que se encarregará de apagar bem depressa as datas, os nomes e os lugares, para que cada novo encontro com o objecto possa ser, pelo menos, uma réplica do encontro com a Arte.


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