Terça-feira, Abril 18, 2006

Arte in'consciente

Art Institute of Chicago II, Chicago, 1990
©Thomas Struth (Alemanha, 1954)
Chromogenic print; 54 x 68 3/4 in. (137.2 x 174.6 cm)
The Art Institute of Chicago, restricted gift of Lewis Manilow

I felt a need to make these museum photographs because many works of art, created out of particular historical circumstances, have now become mere fetishes, like athletes or celebrities, and the original inspiration for them is fully obliterated.
What I want to achieve with this series, which will be limited to maybe thirty photographs, is to make a statement about the original process of representing people leading to my act of making a new picture, which is in a certain way a very similar mechanism: the viewer of the works seen in the photograph finds him/herself in a space in which I, too, belong when I stand in front of the photograph.
The photographs illuminate the connection and should lead the viewers away from regarding the works as mere fetish-objects and
initiate their own understanding or intervention in historical relationships.

©Thomas Struth,
sobre a exposição que apresentou no
The M.O.M.A., em 1999

Gosto de ter com a Arte uma relação só minha, individual. Por isso sou amadora! Gosto de amar a arte pela Arte só, pelo objecto em si… para além de todos os circunstancialismos que levaram à sua produção, para além de todas as peripécias mais ou menos rocambolescas que o Destino – sempre engenhoso – engendrou para que o Génio, a Inspiração e o Tempo – trindade de todo o modo de Arte – se reunissem naquele momento único da criação artística.
Gosto do silêncio no primeiro encontro com a Obra… gosto de sentir que sou só eu e Ela… intimidade! Gosto de me sentir invadir pelas cores, pelos sons, pelas palavras… e fundir-me nelas… num prazer quase erótico de perfeição… sublimação… como se aquela tela, aquela música, aquele texto, fossem, naquele instante, todo o Universo e todos os caminhos sinuosos da existência vã em que me passeio tivessem sido trilhados para chegar ali: ao êxtase da admiração da Criação.
Tenho para mim, amadora – com a consciência plena de que nenhum especialista hesitará em apontar-me o dedo-censura-certeza absoluta da relatividade: Errada!, quase um Crucifixit recriado – que o único momento em que a Obra de Arte o é verdadeiramente é esse do encontro imaculado – tantas vezes um instante só – em que, expurgados de qualquer indução externa, nos deparamos de súbito com Ela e, sem reservas, sem peias, sem defesas, nos deixamos invadir… fundir nela, de tal modo que já não é Ela a coisa observada, mas somos nós seu objecto, sentidos conduzidos pelos caminhos onde o Génio nos quis levar…
Por isso prezo tanto o não-saber, e o cultivo! Rejeito o saber das datas, dos lugares, das estórias, de todos os contextos que me condicionariam à partida o Encontro… que pre-judicariam o Momento, por me obrigarem a uma valoração concebida ainda antes da génese em mim da Obra em si... por isso fujo sempre das legendas, dos guias, das sínteses… virgem nas sensações, guardando-me para o desposamento que o Artista conseguir em mim provocar.

E depois, Obra de Arte encontrada, Momento vivido, sentidos todos saciados na inspiração da Perfeição, gosto, então sim, de regressar à arte, ao objecto, às legendas, aos guias, às sínteses, de perceber o sentido e o lugar e o catálogo onde, nos limites do Tempo e da Geografia, o Homem quer encaixar o que não é de tempo ou lugar algum… gosto de ouvi-lo e percebê-lo, sempre confiante na minha péssima memória, que se encarregará de apagar bem depressa as datas, os nomes e os lugares, para que cada novo encontro com o objecto possa ser, pelo menos, uma réplica do encontro com a Arte.

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